quinta-feira, 31 de março de 2016

On The Road: Histórias de Estrada



Não é pintura, não é wallpaper do Windows, não é obra de um fotógrafo da Nat Geo. É apenas uma foto tirada de qualquer jeito de dentro do carro por mim, lá nos Andes. Com uma paisagem dessas também né... Surpresas de estrada.

Já estava com saudade de projetos fotográficos e blogagens coletivas por aqui, depois do hiatus (snif) do Rotaroots, estou sem participar de nenhum há um tempão. Até que, que conheci no blog da Livs mais um grupo lindo e maravilhoso na minha vida de blogueira, o Bloggers Out and About, especializado em blogs de viagem. Amo!

E um dos temas do mês de março era justamente um projeto fotográfico sobre estradas.  É engraçado porque enquanto a maioria das pessoas reclamam de viagenzinhas de uma hora e meia para o interior do estado, eu falo que foi moleza atravessar o continente, haha. Se por um lado tenho preguiça de trânsito e sonho em rodar a cidade de metrô e bicicleta, não vejo a hora de tirar a minha habilitação e ter a oportunidade de pôr o pé na estrada.Tenha meia hora de conversa comigo e você já vai saber pelo menos uma história das road trips que já fiz com a minha família. Enfim, vamos às fotos e senta que lá vem história.

São Miguel das Missões, RS - 2007
Já tinha feito algumas viagens de carro, mas eu ainda não tinha nem saído do Nordeste. Até que, com os meus oito anos, meu pai levou minha mãe e eu num Classic 1.0 para um tour pelo sul e sudeste do Brasil, de Maceió até Porto Alegre. Eles fizeram essa viagem com meus tios em 96 e queriam repetir a dose. Visitei Minas, São Paulo, Rio, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e o RS. Foi uma das viagens mais marcantes da minha vida, meu primeiro contato com o mundão, quando comecei a conhecer o meu país e até pude pisar fora dele. A partir daí, eu comecei a ficar maluca por viagens e... bem, acho que não tivemos muitas mudanças. Haha. Para falar a verdade, essa viagem merece um post gigante, mesmo que seja quase 10 anos depois.

Piranhas, AL - 2011
Quem disse que só as viagens longas são importantes? Tenho ótimas memórias das minhas viagens pelo estado. Lembro das minhas idas ao sertão, quando meu pai fazia uns trabalhos na região. O sertão tem seu charme, sua beleza e interessância (para dar uma de Xico Sá). Até tinha meus momentos de estar de saco cheio daquilo - confesso -, no mais, eu adorava. A conversa, o som do carro, o livro que eu lia dentro do carro com o sol a pino. Abro o baú da minha memória e parece que sinto o cheiro da saga Crepúsculo e do UNO velho da empresa. Também lembro das vezes que fomos ao semiárido só a passeio. Já perdi as contas de quantas vezes fui a Piranhas,  o lugar é lindo demais. Quando vier a Alagoas ou Sergipe, tente dar uma passadinha por lá, você não vai se arrepender.
Em algum lugar entre Maceió e Fortaleza - 2013

Depois de conhecer uma boa parte do Brasil de Maceió a baixo e ter feito um mochilão na Europa, já me achava A experiente. Bobinha. Só em 2013 fui conhecer um pouquinho mais do Nordeste além de Sergipe, Bahia e Pernambuco. Não foi uma viagem tão longa, passei por João Pessoa, Natal e Fortaleza. Para ser sincera, não foi o suficiente para conhecer muita coisa. Já voltei a Fortaleza outra vez para um jogo da Copa, mas eu ainda não acho que conheço o Nordeste. Tenho que fazer outra dessa algum dia (vai embora, crise!). 

San Pedro de Atacama, Chile - 2013
Até agora essa foi o meu recorde. Quer dizer, meu não, eu sou só uma passageira. Engraçado, falo como se eu tivesse feito algum esforço. É fácil pagar de aventureira só sentando e esperando chegar no destino, enquanto olha a paisagem passar pela janela. Enfim, meu tio chamou meu pai para ir até o deserto do Atacama, no Chile, e como ele é rato de viagem, não resistiu. Foi bem rápido, quando me dei conta, já estava na estrada. 

Não sei se estou errada, mas foram uns cinco dias, sem contar a parada de descanso de dois dias em Foz do Iguaçu. A ida foi super de boa até a aduana chilena. O inferno tem nome. Se passar pela imigração já é chato em vias normais, imagina com uma demora do cacete numa altitude gigantesca? A sensação é bizarra, parece que a sua cabeça triplica de peso e a dor de cabeça é imensa. Mas depois dali, o pior já tinha passado e no mesmo dia eu já estava aclimatada com a altitude. Na volta, a parte da imigração foi mais tranquila e até Foz do Iguaçu foi tudo uma maravilha. Já de Foz para Maceió foi mais puxado. Não é coisa para qualquer um não, viu! Bom, foi uma viagem maravilhosa. Preciso rodar toda essa América do Sul inteira o quanto antes!

San Pedro de Atacama, Chile - 2013
Outros pequenos percursos dos quais eu não poderia deixar de falar foram as vezes que fui a Recife com meu pai, um bate-volta para resolver problemas de outras viagens. Valorizo esses momentos porque, por mais que eu viaje bastante só com ele, não consigo ter tanta proximidade assim no dia-a-dia. E nada melhor do que se trancar dentro de um carro por umas três horas para trocar uma ideia.  

Uma vez fomos ao Aeroporto de Guararapes só para ver se o voo da passagem para Frankfurt que compramos realmente existia. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Se na época já achamos estranho de uma passagem de 500 reais, hoje com a crise pode ter certeza que é golpe. Deu tudo certo. Em 2014 fomos atrás dos nossos ingressos do jogo da copa em Fortaleza, Alemanha e Gana. Nesse dia, lembro que os pneus furaram... Foi um problema. Mas até que gosto dessas histórias. E de qualquer forma, também deu tudo certo. 

Algum lugar perto de Porto Seguro, BA - 2015
Ah, meus verões na Bahia. Ano passado passei alguns dias de férias em Porto Seguro, Morro de São Paulo e Salvador, mas já tinha ido para Porto Seguro e Salvador outras vezes. Sem contar que todas as vezes que fui para o sul de carro, passei por lá. Também né, esse estado é gigante. Da última vez, voltei até falando baianês, meu rei.

Algum lugar perto de Blumenau, SC - 2015
Essa foi outra viagem para lá de especial. Íamos só para o Rock In Rio, mas aí a viagem começou a se estender e quando vimos estávamos já fazendo quase outro tour pelo Sul e Sudeste. Foi marcante porque fui a shows, revisitei lugares que não ia há 7 anos... Enfim, já falei dessa viagem por aqui, e ainda tenho muito o que postar. Pontual como sempre, né? Aguardem, haha. 

Palmeira dos Índios, AL - 2016
Por último e não menos importante... Palmeira dos Índios. É a cidade natal da minha mãe, vamos sempre lá visitar meus avós. Quando era menor, amava o lugar. Porém, com o tempo, acho que não é segredo para ninguém que eu criei uma grande antipatia pela cidade. Tive meus motivos. Hoje, como em quase tudo, desradicalizei. Consigo separar as coisas e voltar a enxergar beleza naquele ambiente. A conversa na cozinha regada a café e bolacha com quem quer que apareça pela casa do meu avô, o sono de um fim de semana inteiro, as frutas que levo para casa e o rádio ligado no jogo de domingo na volta para casa. Não sei se eu chamaria de viagem, mas falando de estrada, eu não poderia deixar essa de fora. É bom escrever sobre para não deixar que algumas situações me façam esquecer das coisas boas. Bom, mas isso é pauta para outro post.


Essas foram minhas fotos preferidas na estrada. Tentei enxugar o post ao máximo para não cansar tanto a vista de vocês, mas acho que ainda vou ter que rebolar muito até aprender a resumir. Quem sabe com uns dias em Palmeira, invocando a alma de Graciliano, eu consiga alguma coisa? Haha. 

FOCO, ALICE.

Enfim, contem-me suas histórias road trips. Sou toda ouvidos. Besos.

terça-feira, 29 de março de 2016

O que a novinha quer?

 
Tava no fluxo, avistei a novinha no grau. Sabe o que ela quer?

Sempre questionei essa música. Se só o termo novinha por se só já me incomodava, dizer que ela quer pau é mais bizarro ainda. Não sei até que ponto esse tipo de discurso, e toda a erotização infantil ali contida, influencia a cabeça das pessoas, porém, vocês têm de concordar comigo quando digo que é no mínimo paradoxal linchar um pedófilo num dia, e no outro dizer que uma criança quer sexo. Oi?

Não faz sentido. Em qualquer idade, hipersexualização, assédios e abusos são horríveis, mas na infância é pior ainda. Se as mulheres são tratadas como pedaços de carne, as meninas são as vitelas humanas. Carne fresca. Argh.

Nós NÃO somos nada disso. Mulheres são mulheres, garotas são garotas, gente é gente. Toque a campainha. Nossos corpos são de propriedade privada. Casinha da alma. Só se pode entrar com a nossa permissão, tá entendendo? O que falar então de quem tenta invadir o que sequer terminou de ser construído? Entre metáforas meio estranhas, acho que fui entendida. É doentio!


Graças a sei lá o quê, o máximo que já sofri em relação a isso foi ser seguida na rua por uma caminhonete branca em plena manhã, no caminho para a faculdade. Eu fiquei apavorada. Outro dia fui caminhar e ouvi tanta coisa que eu me perguntei o que havia de errado comigo. Será que eu estava me arriscando demais só por não me trancar em casa num dia de domingo? Nos três dias em que saí para tentar levar uma vida mais saudável, inconscientemente tentava calcular com precisão científica se a minha roupa teria algum potencial de chamar atenção. Eu juro. Amo me vestir, acho divertido. E mesmo assim, me via obrigada a vestir o short menos curto e a camisa mais folgada. É justo?

A pedofilia é o último estágio da escrotice humana quando se trata de violência sexual. Mas é bom saber, para você que tem mamãe, irmãzinha, filhinha e até filhinho, que hipersexualização e assédio, também são tipos de violência.

Quando penso em feminismo, confesso que já nem penso tanto por mim mesma. Penso na menina que tem o mesmo sangue que o meu e eu vejo dormir indefesa todos os dias. Como alguém seria capaz? Não quero que ela seja a novinha de ninguém. Nem quero que, quando ela cresça, sofra sequer um rompante de assédio. Quero que um dia se torne livre e independente para fazer o que bem entender da própria vida. Quero levá-la para viajar sem me preocupar se vai ter um homem ou não conosco para que sejamos respeitadas. Quero que ela seja quem ela quiser. Quero que ela seja gente.
Sei que não vai ser tão fácil. Não é. Não vai ser para mim também. Não está sendo. E o pior é saber: poderia ser muito pior.

Li milhares de relatos horríveis de abuso e assédio na internet durante os últimos anos. Outro dia, cheguei a quase chorar com a palestra da Juliana de Faria no TED, da polêmica campanha Chega de Fiu Fiu. Pensando nisso, aproveitei a oportunidade em um dos primeiros trabalhos da faculdade (tenho tanta coisa para contar a vocês no próximo Diário de Universitária...) para tentar fazer algo realmente relevante.

Sei que não posso mudar o mundo, mas o que eu não posso fazer, é não fazer nada. Pensei em um conceito para o vídeo que tentasse transmitir tanto o sentimento de uma garota violentada, quanto o sentimento de medo que todas as mulheres têm disso acontecer. Também queria abordar assédio e hipersexualização infantil, de modo que as pessoas pudessem se mover em torno dessa causa e alguém, pelo menos uma só pessoa, se sensibilizasse.

Talvez eu ainda não saiba exatamente como organizar toda a bagunça que se passa dentro da minha cabeça e colocar para fora exatamente como gostaria, vocês sabem disso. E isso é bom, não gosto de me acomodar. Se eu me jogo de cabeça, só aceito o melhor. Confesso que não consegui captar um quarto da carga emocional que pensei, mas me esforcei. E estou feliz por entregar um trabalho pelo menos um pouquinho relevante para a vida de alguém, mesmo com todos os problemas que tive - uma amostra grátis do chumbo grosso que vem pela frente, ou seja, pela minha vida inteira. Enfim, isso me motivou de uma forma que vocês nem imaginam.

Eu quero ser relevante. Mudar a vida das pessoas. Quero que meu conteúdo não se torne mera informação vendida jogada ao léu. De alguma forma, eu quero ser importante. E esse é um dos motivos pelo qual tento sentar numa cadeira e escrever para mim, e para vocês.

#ANovinhaQuer Sonhar.

terça-feira, 15 de março de 2016

Cinema: Lançamentos de Março

Amantes - ou não - do cinema, o mês de março enfim chega com umas das adaptações mais esperadas deste ano, Batman vs Superman: a origem da justiça! O filme do cavaleiro de Gotham vs o Homem de aço promete arrecadar mais de um bilhão e aumentar mais as expectativas para a Liga da Justiça. Mas calma, não só de super heróis consiste o mês de março nos cinemas, caso você não curta filmes baseados em HQs, outras novidades menos blockbuster estão chegando às telonas. Então prepare o bolso e arrume tempo para conferir.

PS: No mês de fevereiro eu iniciei minha graduação em engenharia mecatrônica e por conta disso talvez haja alguns atrasos nas postagens dos lançamentos, não que isso seja de grande importância ou eu tenha um público considerável que leia isto, mas aos poucos que leem, acredito ser necessário o aviso. Abraços.

Cinquenta Tons de Preto

A famosa história do controlador empresário e da ingênua estudante de literatura ganha uma face satírica e com atores negros nos papéis principais. Cinquenta tons de preto chegou às salas de cinema no dia 3 de Março. Não deixe de conferir o trailer! Está hilário.

Meu Amigo Hindu

O filme brasileiro conta com a presença do ator Willem Defue que vive um cineasta diagnosticado com câncer terminal. Sua única salvação é um transplante de médula óssea experimental nos Estados Unidos. No hospital, ele conhece um menino hindu de apenas 8 anos, que também está internado. A amizade entre os dois é inevitável e ambos vivenciam histórias fantasiosas como meio de suportar a dura realidade que os cerca. O longa do diretor argentino Hector Babenco chegou aos cinemas brasileiro dia 3 de março.



A Bruxa

Uma família, expulsa de uma sociedade por conta das divergências entre crenças, vai morar em um local isolado no meio da floresta. No entanto, nem tudo é tão tranquilo quanto deveria ser, além de o casal e seus cinco filhos enfrentarem a escassez de comida ainda precisam lidar com fenômenos sobrenaturais que surgem no lugar, principalmente, quando o integrante mais novo da família desaparece de forma misteriosa. A Bruxa está em cartaz desde o 3 de março e recebendo boas críticas por fugir do clichê dos filmes de terror.


Um Homem entre Gigantes

Baseada em uma história real, Um homem entre gigantes relata a luta do Neuropatologista forense Dr. Bennet Omalu (Will Smith) contra a poderosa NFL (National Football League) após descobrir uma doença ocasionada pelas pancadas que os jogadores recebiam durante os jogos. O longa foi lançado no Brasil no dia 3 de março.


Zoolander 2

Em Zoolander 2, a policial e ex-modelo Valentina Valencia (Penélope Cruz) busca a ajuda do ex-modelo vivido por Ben stiller, Derek Zoolander e seu companheiro Hansel (Owen Wilson) para solucionar o assassinato de várias celebridades. A comédia conta ainda com a presença de Benedict Cumberbatch, Kristen Wiig e Will Ferrell e chegou ao Brasil em 3 de março. 


   .    

Kung Fu Panda 3

O panda mais amado e atrapalhado do cinema retorna em sua terceira aventura para conhecer sua real família. Porem, um novo vilão chamado de Kai surge para acabar com todos os mestres do Kung Fu, cabe a Po fazer o impossível para treinar o vilarejo repleto de Pandas e transformá-los em verdadeiros guerreiros. A tarefa não será nada fácil e divertirá bastante os fãs e simpatizadores da Saga de Po. Kung Fu panda 3 estreou dia 3 de março.


A Série Divergente: Convergente

Tris, Quatro e os divergentes estão prontos para saber o que além do muro. Ao chegarem lá, descobrem que existe uma nova sociedade bem mais avançada do que qualquer um imaginasse. Chicago será eliminada e cabe a Tris e seus amigos impedirem que todos que eles conhecem sejam mortos. O terceiro filme da série lançou dia 10 de março.

  

Zootopia

Nessa sociedade utópica, animais de várias espécies vivem pacificamente e sem nenhuma interferência imposta pela cadeia alimentar proveniente de nossa natureza. Porém, algo está transformando os animais em seres ferozes e cabe à mais nova policial Judy Hoops provar aos seus parceiros que consegue solucionar o caso facilmente com a ajuda da raposa malandra Nick Wilde. A animação chega ao Brasil dia 17 de março.


Ressurreição

Nesse filme, a trama gira em torno da ressurreição de Jesus de Nazaré quando surgem rumores que o Messias não havia morrido. Por conta disso, Pôncio Pilatos envia um Centurião Romano e cético (Joseph Fiennes) para investigar se o Filho de Deus ressuscitou mesmo e onde fora parar o corpo. Ao passo que vai ouvindo os depoimentos, a incerteza cede lugar à credulidade do ocorrido. O longa estreia dia 17 de março e apresenta uma visão além  daquela que já conhecemos.

Batman vs Superman: a origem da justiça

Antes de trazer a Liga da justiça para as telonas, a DC comics decidiu por frente a frente os seus heróis mais famosos em batman vs Superman: A Origem da Justiça. O longa ocorre após os acontecimentos de  O Homem de aço e a imagem do Superman (Henry Cavill) divide a opnião mundial,  alguns o veem como o salvador que necessitam, enquanto outros o acham um destruidor imparável. Bruce Wayne (Ben Affleck) está nesse grupo contra o homem de aço e utilizará de todos os aparatos do Batman para parar Clark Kent. A tão esperada aventura lança dia 24 de março.

 

O Último Virgem

Na comédia brasileira, Guilherme Prates vive o papel do jovem Dudu, um tímido garoto em busca de alguém que o ajude a perder a virgindade. Com a Ajuda de seus amigos loucos, O último virgem irá em busca de sua iniciação sexual após o convite da bela professora de Biologia, Debora, vivida pela Fiorella Mattheis, O último virgem chega às salas brasileiras dia 31 de março. 


E aí quais desses e outros você irá conferir? deixe-nos um comentário.

sábado, 12 de março de 2016

Rock in Rio: Queen + Adam Lambert | #RockinRoad


Ah não, vou ter mesmo que relembrar o show do Queen? Ufa, só espero não chorar. Como descrever? Tentarei ser breve. Foi um show que me despertou muitas emoções. Foi incrível. Ou meio incrível, já que saí na metade. Pois é. Isso aconteceu. Vou te contar como.

Quem é fã sabe a sensação de ouvir os primeiros acordes da apresentação de um ídolo. A última vez que senti algo assim foi com a Beyoncé em São Paulo. No entanto, com o Queen foi diferente. Completamente.

Primeiro porque eu jamais pensaria que veria um show do Queen, que, independente de qualquer coisa, ainda é o Queen. Então me ver lá, prestes a ouvir todas aquelas músicas que eu tanto amo e escuto desde criança foi sensacional. Segundo, mesmo com todos os esforços, essa banda jamais vai ser a mesma que o meu pai ouviu lá em 85 por motivos óbvios. Não tem John Deacon, Brian May e Roger Taylor já não são mais os mesmos e bem... Nem o Adam, nem ninguém, vai fazer jus ao Freddie. Aquele trono ninguém é capaz de ocupar com tamanha maestria.  Mas fazer o quê, se levaram aqueles dentões cedo demais, não é mesmo?

Sabe que antes da cortina abrir com One Vision eu nem sabia quem era esse tal de Adam Lambert? E quer saber? De cara, eu e minha mãe, nos apaixonamos por aquela figura meio drag, meio macho man, meio teatral, muito gato e no meio disso tudo, bem sexy. Olha, eu pegava, viu? Haha. 

Falando sério, só tenho elogios ao Adam. A primeira coisa que notei foi que ele não fez o mínimo esforço em tentar imitar o Freddie, que era justamente o que eu temia. Afinal, eu não saí de casa para ver cover. Em comum a Mercury, só o jeitão exagerado e gay, e ainda assim, em formatos bem diferentes. As interpretações foram ótimas, e na boa, não entendo quem critica. Esperavam o quê, que o Freddie reencarnasse ali, era mesmo?

Até então o show estava esquentando, só começou a pegar fogo mesmo em Killer Queen. Céus, o que foi aquilo? Adam parecia uma deusa no divã com leque e salto alto. Se eu já amava a música, depois dessa performance então... Aí foi só emendar com Don't Stop Me Now e I Want To Break Free para desmunhecar geral mesmo e fazer todo mundo pirar. Depois, chegou a hora desabar.


"Rio, are you in love? I'm not in love. So please can anybody find me somebody to be fucking in love, please. Thank You." Ah não, Somebody To Love. Nessa eu cheguei bem perto de chorar. É uma das minhas músicas favoritas da vida e me mexe de uma forma muito forte. Quando eu era menor, queria até dançá-la com o meu pai na minha festa de debutante, acreditam?

Se Somebody to Love era pouco, a música seguinte era justamente Love Of My Life. Aí, meu coração quase não coube no peito. Se eu não podia estar em 85 cantando com o Freddie, eu daria o melhor de mim em 2015. Brian chegou sozinho na frente do palco, com um banquinho, um violão, e um selfie stick. A maior selfie do mundo para registrar aquele momento épico. Ele estava emocionado, e eu só queria abraçar o velhinho de cabelo legal. Então a música começou e a platéia fez seu próprio show. E eu estava lá no meio, gritando desafinada e louca, chorando de felicidade por dentro e rindo por fora, de olhinhos fechados.

Em seguida, Roger Taylor cantou A Kind of Magic, emendando numa longa batalha de bateria. O primeiro grande erro da apresentação. Em seguida, Under Pressure (R.I.P. Bowie), Save Me (uma das favoritas minha e do meu pai), Ghost Town (haters gonna hate essa música só porque é do Adam, mas eu cantei e dancei loucamente) e Who Wants To Live Forever (toquem no meu funeral).

Se uma batalha de bateria é pouco, imagina um solo de 10 minutos? Sério, Brian, a gente sabe que você é fucking awesome, mas poxa, desnecessário. Foi aí que o sonho virou pesadelo. Deu a louca na prima do meu pai para vir embora e bem, como estávamos juntos, acabou levando todo mundo com ela. Sério. Até hoje não consigo digerir o que aconteceu sem ter muita raiva. Qual é, era o Queen! Ninguém vai embora no meio do show do Queen a não ser por caso de morte. Na hora eu quase não acreditei no que estava acontecendo, mas era real. Pisquei os olhos e já haviam recolhido as coisas e virados as costas.


Dessa vez eu não consegui segurar o choro. E sabe qual o fato mais tragicômico disso tudo? Enquanto encarávamos a multidão no contra-fluxo, o Adam cantava que o show deveria continuar. Show Must Go On. Agora, eu não consigo mais ouvir essa música sem pensar nesse momento. Tudo se encaixou ainda mais quando, ainda enfrentando a multidão, começou a tocar I Want It All. Descrevia completamente o que eu queria dizer. Era como se a própria banda me dissesse: "Vai, fica." Sei que parece loucura, mas eu gosto de pensar assim.

 Anyway the wind blows. Lá fora ainda deu para ouvir Bohemian Rhapsody e doeu pra caramba não estar mais lá dentro. Sei lá quantas vezes já disse isso nesse post, mas essa também é uma das minhas músicas favoritas da vida. Eu chorava e fazia o maior esforço para ninguém perceber. Lá de longe, quase perto do ônibus, ainda senti o chão tremer com We Will Rock You, e fui embora com lágrimas nos olhos ao som de We Are The Champions em fade out.

Valeu a pena? É claro. Melhor meio Queen ao vivo que um inteiro pela tevê. Ainda assim, foi muito frustrante, principalmente por saber que esse momento não vai se repetir jamais. Bom... Já passou. Volto a ouvir as minhas milhares de músicas favoritas da vida no fone de ouvido, no carro, no paredão, na minha voz, na minha mente... e isso de mim ninguém pode tirar.

God Save The Queen.

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia de flor, ano de espinhos


Hoje é o dia da mulher e, coincidentemente ou não, estou refletindo ainda mais sobre como é estar na pele de uma delas. Nunca gostei da data, tinha aversão àquelas propagandas açucaradas, depoimentos de super-women, rosas vermelhas perfumadas... Eca. Não gostava, da mesma forma que não gosto de dia das mães, dos pais e dos namorados. Tudo me soa falso, hipócrita. Eu não suporto isso.

Agora eu consigo entender exatamente a proposta da data. A começar pela sua origem, desconhecida ou esquecida por quase todo mundo. Parece mentira, mas lá na magnífica New York, na metade do século XIX, em 8 de Março, mais de uma centena de tecelãs foram queimadas vivas dentro de uma fábrica só por reivindicarem seus direitos trabalhistas. Então, meio século depois, na Dinamarca, o "Dia Interncional da Mulher" foi decretado, em homenagem a essas operárias e a todas as mulheres que sofreram.

A intenção era criar debates, conferências e reuniões para discutir o papel da mulher na sociedade, e assim, tentar lutar contra o preconceito e desvalorização da mulher. Nada disso foi criado para distribuir florzinha para "as grandes mulheres por trás de grandes homens". É bizarra a conotação que o 8 de Março tem hoje em dia.

Tem gente que se vangloria porque podemos votar, trabalhar, estudar, fazer sexo por prazer, sei lá. Engana-se quem diz que já está bom. Não está. Não tem igualdade, ainda. Ainda não somos iguais. Estamos longe. É engraçado quando dizem que queremos a superioridade feminina, que temos "privilégios". Não sabia que ser considerada gente era ter uma vantagem

Gente? Como a gente? Nada disso. Ser mulher é ser diferente. É ter um peso a mais nas costas. É não ser ninguém sem um homem ao lado. É viver com um "e se". Ter que considerar mil e um fatores antes de sair. Ter medo de ir e vir. E o pior de tudo, não ser levada a sério.

Milhares de mulheres são violentadas de diversas maneiras pelo mundo o tempo inteiro. O caso das mochileiras argentinas assassinadas no Equador por estarem "sozinhas" me deixou ainda mais triste porque eu me senti próxima delas. Eu me imaginei ali, naquela situação. E foi chocante perceber que eu tenho um empecilho gigantesco para realizar meus sonhos: ser uma garota.

Eu também quero viajar sem depender de ninguém. Ir com uma mochila nas costas onde der na telha. Sozinha, se assim preferir. E quando digo sozinha, digo sozinha de verdade. Só eu e eu. Gostaria de lembrar aos que tentaram justificar o caso com o argumento que elas estavam desacompanhadas que elas tinham a companhia uma da outra. Na minha época, isso não era ser sozinha. Agora se para você só homem é gente...

Eu quero ir caminhar na praia numa tarde de domingo ensolarado sem esperar a disposição do meu pai ou namorado - que nem tenho - para ir comigo. Sem me preocupar em calcular o tamanho da roupa que visto para não ser notada. Sem, mesmo assim, ser chamada de gostosa por um estranho e achar que vou ser atacada ali mesmo. Quero viver sem que por o pé para fora de casa seja um ato de coragem.

Queremos ser gente. Isso tá errado. Tá tudo errado.

É por isso que hoje eu acredito em 8 de março. Porque em meio a flores, maquiagens e bombons, sempre tem alguém que para para falar do que é urgente. Preciso fazer alguma coisa, mas sinceramente, não sei o quê. Se falar adianta, eu não sei. Mas ficar calada, eu tenho certeza, também não serve de nada. 

sábado, 5 de março de 2016

2/16

Tudo o que aconteceu no mês de fevereiro.

Fevereiro foi meio paradão por aqui, sinto muito. Enquanto isso, minha vida offline estava a mil. É assim mesmo, muita coisa nova, muita informação, muito amor. Por outro lado, estou cada vez mais empolgada com os meus projetos. Blog, canal, snapchat, instagram... Sei lá, quero produzir. Só preciso organizar meu tempo, meu sono, minha vida. Tá tudo indo bem, mas do mesmo jeito bagunçado de sempre. Preciso mudar.



+ Diário de Universitária: Primeiros dias de Jornalismo  

O mês começou com a faculdade. Spoiler: só amô. Falei das primeiras impressões por aqui mas depois do post já aconteceu muita coisa. Na verdade, minha vida está tão maravilhosa que eu estou até estranhando. Não poderia ter escolhido curso melhor, estou infinitamente, irrevogavelmente, incondicionalmente apaixonada por jornalismo. Em breve tem mais post sobre minha vida de universitária. #comingsoon


Literariamente falando, meu mês foi um desastre. Parei Manual de Redação e Estilo para Mídias Convergentes para aproveitar a biblioteca da faculdade. O primeiro livro que eu aluguei, Jornalismo Diário, foi maravilhoso, li rapidão. Já o segundo, o terceiro e o quarto, tive que abandonar. Triste fim.


Teve post do meu amiguinho Vebê sobre filmes. Boravê?

 
Também teve Carnaval, né gente?  Quer dizer, menos para mim. Fiquei em casa, de boa, lendo meu livrinho e vendo The Tudors. Para falar a verdade, estava muito mais empolgada com o Super Bowl e a nova música da Beyoncé do que em sair para a farra. Inclusive, Formation mitou. Uma semana depois, fui para o bloco de ressaca de carnaval da faculdade. Estava com meus amigos, então, não tinha como ser ruim né? 

Ah, virei vegetariana. Mas não por muito tempo, até a Páscoa. É só uma experiência mesmo. Até agora não notei nenhuma diferença no meu corpo nem para melhor nem pior. E não estou falando de estética e sim de saúde mesmo, sério. Ainda assim, está sendo interessante e tudo isso me leva a refletir sobre a minha relação com a comida e a relação da comida com o mundo. Enfim, vou escrever sobre o assunto em breve. Aproveitei e comecei a caminhar, fui dois dias. Será que vou conseguir continuar?
+ Não lê isso, por favor!

E para acabar, fiz uma daquelas longas e chatas reflexões pessoais sobre exposição na internet. Sobre a minha vida mesmo e como eu vou levar isso daqui pra frente. Não vou mais me privar, não vou mais ter medo. Pode chegar, pode ler isso aqui.

E como foi o Fevereiro de vocês? Me contem!