segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não precisa saber

  

Não toque aí. É meu ponto mais sensível. Meu lugar mais seguro. Calcanhar de Aquiles. É o que me faz ser eu. Meu espelho. É o que mais me dói. É o que eu quero ser. E o que eu mais amo.

Mas você não precisa saber disso. Você não precisa ler minha mente, muito menos o que vem junto do seu nome em meu diário cor-de-rosa que você nem sonha que tenho. Ou ler o que eu escrevo aqui e se encontrar em cada página. Nem ouvir o que falo de você nas conversas que tenho com qualquer estranho ou com meus mais fiéis amigos. Por que você não se torna um deles? Your Majesty, Heil.
Não sou forte. Nem tenho que ser, só preciso parecer. Não quero chorar na sua frente por não saber o que fazer com tanto amor - por uma pessoa que nem sei se devia amar tanto assim. Ou por qualquer outra coisa. Minhas lágrimas só deveriam vir ao emprestar meu corpo para à arte, em frente às câmeras e de mais ninguém. E isso eu também não posso dividir com você. Nem as gotas que vieram mesmo para o mundo ver, muito menos as que até eu fingi que não existiram. Como queria usar seu ombro.

Você lembra a última vez que conversou comigo? Será que precisamos nos prender por dias em um carro fechado para libertar em doses homeopáticas o que se passa dentro de nós? Ou melhor, existe alguma coisa aí dentro ou você só finge muito bem? Já me perguntou como eu me sinto hoje?  Já me perguntou como eu me senti algum dia? Por que você não pergunta o que eu penso? E por que isso não tem importância até você achar que as pessoas vão comentar? 

Me deixe ir. Me deixe ir. Me deixe ir. Para mergulhar na solidão de um quarto escuro e além. Para a noite e o dia. Para voar nas nuvens e ter vontade de voltar. Para ter histórias e te contar. Quero ir embora com pesar e vontade de ficar. 

Acredite em mim. Confie em mim. Orgulhe-se de mim. Me ensine porque quer. Tudo o que sou hoje, aprendi com você. Até a não concordar, aprendi com você. Até a não brigar, aprendi com você. Até a não saber amar, devo ter aprendido com você. Mas você não sabe, nem nunca quis, me ensinar nada. Talvez você mesmo não se ache bom exemplo. Também não sou.
 
Será que a gente se conhece mesmo? Mostre-me também suas cicatrizes. Você está feliz? O que eu fiz? Eu também estou errada. Mas que diferença isso faz para quem acha que eu nunca estou certa?

Jamais vou saber dizer o que sinto para as pessoas que mais importam. Não eu sou capaz de sentar e conversar. Nem consigo olhar no fundo dos seus olhos verdes e dizer tudo o que o mundo inteiro já sabe. Como você me machuca e mesmo assim, sem querer, consegue me fazer feliz na maior parte do tempo. Já tentei até te ignorar, mas é quase impossível não dar importância ao próprio reflexo.

Te cobro o que nem eu sei se um dia vou ser capaz de dar. Mas você não liga. E vou continuar acreditando nisso é até você me provar o contrário. Por favor, me prove.

Você não precisava saber de nada disso.

E quer saber, desfiz uma amizade virtual para ver se a real não acabava. Porque eu estou cansada. Porque, por mais que eu deteste me esconder de você, eu não posso me esconder do mundo. Porque você não conseguia, ou sequer tentava, entender qualquer palavra minha. Porque eu não quero mais que você me faça sair de casa de olhos vermelhos. Porque eu não quero mais calcular meus horários para não chocar com os seus. Porque eu não quero mais ouvir coisas desnecessárias. Porque eu não quero viver mais dias como esse. Porque eu não quero escrever mais uma crônica assim.

E é em dias como hoje que eu percebo que está tudo errado. 

Precisamos muito saber que a gente se ama.

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