quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Uma carta para o último dia de 2016

  

Querida Alice de um futuro não-tão-distante,

Sou você 352 dias atrás, como vai?

Não faço ideia de como você está, eu gosto disso. Estou no meio de uma batalha quase ganha, sem ter dado um pingo do meu sangue. É muito injusto ter sorte? Eu me pergunto. Porque não tem outra explicação. Não vou pagar de boa moça a essa altura do campeonato e dizer que eu não gostei de ter passado na federal em direito depois de tudo o que eu - não - fiz ano passado. É só que, eu não mereço isso, o universo me deu de mão beijada. E isso me faz sentir estranha.

Fala sério, você foi mesmo estudar leis só porque teve pontos para isso? É engraçado porque, a Alice de um passado não-tão-remoto nunca teria cogitado essa possibilidade. Pelo contrário, ela iria ir de nós se disséssemos a ela o que estaria por vir. "Isso é curso de quem não tem personalidade, de quem quer status ou não sabe o que fazer. Pff. "O universo é hilário, e pela quantidade de línguas que já tive que pagar, aposto que você pagou algumas nesse meio tempo, haha.

Enfim, não importa, você não vai desistir dos seus verdadeiros sonhos, assim espero. Me conta como foi em jornalismo, menina! Quero saber de tudo. Tudo mesmo. Lembra como você ficou feliz em saber que passou em primeiro lugar? E mais, seu pai iria pagar seus estudos numa boa, porque ele também ficou feliz e teve orgulho de você. Não se esqueça daquela noite. Já escolheu que área vai seguir? Bem, não precisa ter pressa.

O quanto de alemão/francês/espanhol você já sabe? Eu vou te bater se você acabar o ano sem ter se matriculado num curso de línguas. E quanto dinheiro você já tem, para se mandar quando acabar o curso? Não acredito muito que você vá trabalhar mas é bom dar um jeito de ganhar uns trocados. 

Outra coisa... Desculpa, mas essa eu tenho que perguntar. Você se apaixonou? Não te imagino apaixonada, seria engraçado. Porém, uma parte da Alice do passado acha que seria interessante. Só aquele 1%, o resto de mim é vagabundo. Ah, vocês ainda escutam esse tipo de música por aí? Bom, esquece esse lance de se apaixonar e aproveita teu ano de caloura para aproveitar, se é que você me entende. Eu sei que entende.

Sabe, eu acabei de terminar a última temporada de How I Met Your Mother e estou sensível. É triste demais saber que seus amigos estão se tornando antigos amigos. É bom te imaginar tomando vinho com futuros juízes e indo ao Paulista com os caras legais da comunicação, mas nenhum vai tapar o buraco que ficou quando aqueles que estiveram do seu lado nos momentos mais estúpidos da sua vida disseram adeus. Foi fácil dizer que ainda seríamos os mesmos, mas a vida passa mais rápido que a gente pensa, levando com ela coisas que a gente um dia amou, sem volta. Uma parte de mim ainda tem esperança. Me diz, por favor, tem alguma chance de eu estar errada?

Como é se sentir maior de idade? Ok, eu sei que é a mesma droga, mas me deixa sonhar. Só me diz que conseguiu fazer pelo menos a metade do que prometemos realizar. Por favor.

Será que você é muito diferente de mim? Não sei se eu quero ser tão diferente assim, mas é claro que eu não vou ser mais a mesma pessoa. Ah, crescer é meio bizarro.

Para onde você vai hoje? Por favor, por mim, comemore esse dia. Veja os fogos, brinde, abrace estranhos e seja muito feliz. A Alice do passado ficaria feliz com isso.

Talvez você tenha me esquecido, eu entendo. Mas de vez em quando, se lembre de mim. De quem você era, do que você queria, de quem você gostava. Por favor, me orgulhe. Me surpreenda. Realize meus sonhos. Quer dizer, você e eu ainda temos os mesmos sonhos, certo? Seja feliz. Eu sei que vai ser.
Você já resolveu seu problema com as palavras ou ainda é péssima em textos curtos?
Com amor,
Alice de um passado não-tão-distante.


Esse texto faz parte do projeto Escrita Criativa. Acesse a página do projeto para saber mais.

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