sábado, 4 de julho de 2015

Disco arranhado

Venho tentando escrever páginas de diário para a posterioridade e realidade enfeitada travestida de ficção para um único leitor. A cabeça é aberta, o coração é fechado. O tempo é livre, mas cronometrado e limitado. A casa é cheia, o copo vazio. Faz frio e chove. Alguns tetos estão desabando. Tem gente dançando.  Tem gente chorando. Tem gente reclamando. Tem gente jogando a vida fora.

Tem gente ouvindo Ed Sheeran querendo escrever sobre amor. Tem gente achando que sabe o que é amor. Tem gente que dá conselhos a deus e ao mundo sem saber o que fazer com a própria vida. Tem gente sem opinião formada. Tem gente que acha demais. Tem gente que quer viver uma história de amor. Tem gente que não quer sentir dor. Tem gente que quer alguém na cama. Tem gente que treme quando ele chama. Tem gente jogando vários futuros fora. Tem gente idiota. Tem gente que quer ficar. Tem gente que quer ir embora. Tem eu.

Tem gente sendo repetitiva. Okay. Vamos mudar o disco. Só vou te pedir desculpas, todos os que tenho estão arranhados. Bem coerente, até. Porque eu sou um. Sou um disco arranhado por mim mesma. Por aquelas unhas que não tive coragem de cortar desde a última vez que a usei nas costas dele. A última vez que usei e fui usada, na verdade. Hoje sou obsoleta. Um ser em desuso. Um disco que nem roda mais.

E nem vá pensando sacanagem. Não estou falando disso. Minha boca não beija mais, minhas mãos não escrevem mais, meus olhos não leem mais, meus braços não abraçam mais, minha imaginação não viaja mais, nem as lágrimas caem mais, nem o sorriso vem com sinceridade. Só não falta a vontade. De sei lá, viver. De rodar o disco. De mandar um foda-se para o primeiro que me chamar de rodada.

Não estou triste, nem feliz. Apenas entorpecida. Literalmente deixando a vida me levar. Entrei num bote e me lancei no mar, só estou com preguiça de remar. Sabe-se lá onde vou chegar. Ou se algum dia vou chegar em algum lugar. 

Escolhi o pior momento da minha para ser burra. Me deixei emburrecer. Grande burrice.

Comecei um texto e não sei como acabar. Não sei nem como comecei, na verdade. Bom, eis um reflexo da minha vida: minhas palavras. E toda loucura contida nelas. Toda a falta de nexo. Toda a falta de objetivo. Toda a falta de sentido. 

Tem gente precisando de um terapeuta. Ou de mudar o curso no vestibular.

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