sábado, 21 de março de 2015

Sozinhos

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E que fiquemos sozinhos, você sabe o que iria acontecer. Ninguém é o mesmo quando não tem ninguém para ver. Ah, se ficássemos sozinhos. Eu olharia nos seus olhos e você entenderia o recado. Você é sujo. Sujaria-me também. Sujaria minha mente com suas palavras, o meu corpo com suas mãos e o meu coração com o que você me faria sentir.

Da sua boca eu ouviria palavras manjadas de um sedutor qualquer. Inúteis, de fato. Apelaria para sussurros ao pé do ouvido. Lábia tão eficaz que me faria te pedir para calar a boca. Quando ficarmos sozinhos, não vou querer te ouvir, queria te sentir. Em mim. E só.

Por favor, use sua boca para outras coisas. E ao ficarmos sozinhos, vou sentir aquele beijo de leve, bem devagarinho, com aroma de vinho tinto, usando seu lábio macio enquanto faz aquele velho caminho até chegar no ninho. Sem pressa, como se tivéssemos e noite inteira. Em pequenas porções. Você não beija como um faminto, que engole tudo de uma vez. Seu beijo é gourmet. Gosto quando você me degusta, quero sentir seus sabores enquanto você sente os meus.

Com suas mãos, faria o que quisesse. Eu deixaria. Não haveria razão para não ser assim. Eu seria sua e entre aquelas quatro paredes te deixaria me levar para qualquer lugar. Do inferno ao céu, porque não há pecado mais divino ou antítese que faça mais sentido.

Me joga, me morde, me marca. Tô dizendo assim, na lata, sem aspas. Estou sendo sincera como nunca fui. É verdade, sempre tive uma queda por você. As vezes que nossos lábios se encostaram só serviram para deixar minhas pernas bambas e me deixar cada vez mais desequilibrada. Cada vez mais propensa a cair de vez, no chão, de quatro. Arriada, como se diz por essas bandas.

Cê nunca prestou mas as vezes me esqueço disso. Tipo agora, enquanto imaginava a nossa jornada até as estrelas, ou pelo menos até aquele gemido de prazer para ser menos romântica. É claro que ficar sozinha contigo não é boa ideia. Não basta ninguém saber o que eu poderia fazer, eu saberia. Não saberia dizer o que depois viria.

Não sei se me perdoaria, decerto me arrependeria e nem sei se valeria a pena.  A única certeza que tenho é que, ao ficarmos sozinhos, faríamos um espetáculo particular sem script, ensaio ou reprise. Seria bom e eu aplaudiria. 

Já não sei mais de nada. Há uma contagem regressiva. Tic toc tic toc. Você me faz me sentir ridícula. Sequer te amo, meu bem. Mas você me tem e não passa desse ano. Dispa-me na nossa despedida. Sóbrios ou sob o efeito de qualquer coisa para facilitar as coisas. Sabe como é, sempre é bom ter alguma substância para pôr a culpa.

E que enfim fiquemos sozinhos. Como qualquer adolescente idiota, fazendo algo escondido. Depois, nos daríamos adeus e nos encontraríamos esporadicamente até perdermos o contato. Não é assim que costuma acontecer? 

Então que se foda o mundo e venha comigo. Nós vamos ficar sozinhos.

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