sábado, 27 de dezembro de 2014

Previ

Fotos do mural
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Já estou com vergonha do teor das palavras seguintes. Está ficando chato. Eu estou chata. E o mundo também, na verdade. Não nas mesmas proporções, é claro. Tenho más notícias, um coração apertado e péssimas previsões. Espero ser uma vidente medíocre.

Será difícil. O pior de todos. E não me toque, não assopre, não abra a boca. Estou frágil, cuidado. Sou um vidro lascado tentando não quebrar. Já quebrei diversas vezes mas consegui juntar meus caquinhos. Estou inteira. Quebrarei. Uma, duas ou três vezes mais. Ou mais. Estou preparada, eu acho. De alguma forma, vou ter que me consertar.

Contraditoriamente, estou mais forte. Então talvez eu seja um diamante. Diamantes são duros mas quebram fácil. Gostei disso, essa sou eu. Sou um diamante. Sou qualquer coisa que sirva para uma metáfora. Perco um amigo, mas não perco a piada.

E que piada. Se eu tivesse de apresentar minha vida numa peça de teatro, seria uma tragicomédia daquelas que se ri para não chorar. Depois chora mesmo porque não deu para manter o riso. E ri e chora tudo de uma vez só. Chora de felicidade e ri de tristeza. Acontece.

Se bem que, do jeito que os meus olhos estão mais úmidos que o aceitável, talvez eu seja uma personagem do Nicholas Sparks sem câncer. Câncer não, por favor. Já chega de falar essa palavra maldita. Não sou um livro do Nicholas Sparks. Talvez eu seja, no máximo, uma protagonista da Paula Pimenta. Quer dizer... Desisto, não sou livro algum.

Sou alguém que enche um copo de lágrimas e lá faz uma tempestade. Sou eu passando por um momento ruim, esperando chumbo grosso pela frente. Estou naquela fase do jogo tão difícil que você acha impossível de passar. Aí você passa. Depois vem coisa pior, mas você já aprendeu a jogar. Aí perde de novo. É sempre assim né? Deve ser.

Espero ser tão ruim em prever o futuro quanto eu sou com metáforas. Espero errar feio. Céus, tenho que me preparar para o pior. A tempestade está vindo e eu tenho que estar pronta, ainda que ela seja só no meu copo d'água.

Algo bom eu já posso tirar disso tudo. Meu otimismo me falou que nem tudo está perdido. Não coloquei expectativas, assim é mais fácil. Posso me surpreender. Afinal, pior do que está, não fica.

O pior é que fica.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Perdi



Chegou a hora da sinceridade. Vou abrir o meu coração. Senta que lá vem história.

Eu sempre quis fazer intercâmbio. Só que esse sonho tinha dois probleminhas: grana e permissão dos pais. No início, eu achava que o problema era a minha mãe, tinha medo da família me deixar morrer de fome, de um ataque terrorista, de eu ser estuprada, usar drogas, ou morrer. Sei lá. Depois, eu consegui convencê-la e o problema foi o meu pai e uma coisinha chamada ENEM. Para ele, nada é mais importante que isso. Bom, isso seria besteira se não fosse a questão dinheiro. E isso eu não tinha. Por isso, depois de pesquisar muito e tentar convencê-los incansavelmente, eu desisti.

Porém, em fevereiro desse ano eu fui a uma agência da CI com o meu primo e lá o vendedor conversou comigo sobre isso. Tudo o que ele falava, eu já sabia. Mas foi diferente. Apesar de ter pesquisado muito, eu nunca tinha ido ali. Me senti como da vez que eu fui na STB fazer a minha carteirinha de estudante e um garoto estava fazendo sua entrevista para um intercâmbio. E eu só pensava: "um dia eu vou estar no lugar dele". Daquela vez, eu não fiz nada além de sonhar. Dessa vez, eu coloquei a mão na massa.

Cheguei em casa, peguei uma lata de leite condensado, nescau, manteiga, granulado e muita expectativa e fiz bolinhas negras de sonhos para vender na escola. Brigadeiros. Hmm. Vendi. Todo mundo adorou. Eu me animei.

Me juntei com uma prima, comecei a trabalhar duro. Pegamos um isoporzinho e fomos bater perna na praia da Paju atrás de uns trocados no Carnaval. Sanduíche natural, cachorro quente, flau e suco. Tentamos. Venci a timidez e saí gritando para ver se alguém queria alguma coisa. Consegui uns trocados mas não dava para ganhar muito.

Foquei na escola. Vendi brigadeiro, suco, sanduíche e tudo mais. Os professores me ajudavam porque sabiam que aquele era o meu sonho. Certa vez, quando eu derrubei um depósito cheio de cajuzinhos no chão, um professor pagou toda mercadoria perdida para eu não ficar no prejuízo. Mas, como o capitalismo é selvagem, a escola me proibiu de vender qualquer coisa lá para não atrapalhar a cantina. Na época, eu fiquei tão triste, mas tão triste, que mesmo sabendo que dava para vender "na baixa", eu não quis mais saber de nada.

Nesse meio tempo, em que eu fiquei parada, uma menina da minha turma começou a vender brigadeiros e cupcakes. Sabe, aquilo não era nada agradável de se ver. Eu não iria encrencar porque acho que não vale a pena, mas quem deveria estar ali era eu, não ela. Fiquei bem mal, bem mal mesmo. Vi o meu sonho cair pelo ralo.

Depois, voltei a vender meus brigadeiros e mais tarde até umas tortinhas salgadas. Não tinha o mesmo pique de antes, porém continuei ali, tentando. Eu ainda acreditava, enrolava cada brigadeiro, economizava cada centavo em busca daquilo. Até livros eu deixei de comprar. Sabia que não seria o suficiente, meus pais teriam que ajudar. Ainda assim...

Eis que chegou o fim de ano, e como eu não fiquei em recuperação nem nada, não soube o que fazer. Fiquei em casa, sem ganhar dinheiro mas satisfeita por acabar o ano com aquilo que eu esperava ganhar. Nem mais, nem menos. Minhas metas são realistas, eu acho.

Só que... nos últimos dias, tudo ruiu pra mim. Desculpa se pareço mais uma menina mimada que não se conforma em aceitar perder. Porque foi isso o que aconteceu. Domingo passado painho definitivamente disse: não tenho grana, você tem que passar no vestibular e você não vai, pelo menos não agora. Até aí tudo bem, eu já havia ouvido isso antes e decidi aceitar numa boa.

Sofrer pra quê? Quarta-feira seria o meu aniversário, decidi que esse ano eu não mais passaria o dia chorando no dia 17. Fico sentimental no meu aniversário, tudo vem à tona. Esse ano, apesar de ter tido motivos suficientes para derramar lágrimas, consegui passar o dia com um sorriso no rosto. Estava sozinha, ninguém tinha muito tempo pra mim, não tive a atenção que gostaria. Até ganhei um bolo, mas não tive o prazer de cortá-lo depois de um parabéns. Comi no outro dia, sozinha.

Pelo menos ganhei uns contos de réis. Do padrinho e do tio, oba. "Convertendo para o dólar fica quanto?", pensei. Acho que em algum lugar dentro de mim eu ainda acreditava. Ontem, quando fui juntar a grana que ganhei com a que eu já tinha... péssimas surpresas. Cadê a minha grana que estava aqui?

Tinha algo errado. Fiz as contas e nada batia. Estava tudo errado. A começar pelo fato de eu não ter nascido em berço de ouro e ter que passar por isso, sabe? O que eu estou falando, me desculpem de novo. Talvez eu seja mesmo uma menina mimada que não saiba perder.

Eu me senti impotente, frustrada, com raiva. Por isso, cheguei aqui em frente a essa tela e chorei. Chorei aquilo que eu não chorei quando papai falou que eu não iria, chorei por aquilo que não chorei quando ninguém quis passar o meu aniversário comigo, chorei por aquilo que aconteceu hoje porque eu já não aguentava mais não chorar. Chorei por tudo de ruim que vinha à minha mente.

Desculpem, estou quebrando uma promessa. Ontem prometi que não choraria mais por isso.

Eu quero superar isso, mas tá difícil. São anos de expectativa. Foram dias e mais dias mexendo uma panela. Talvez eu não saiba o que é pegar no batente de verdade e talvez de alguma forma apanhar da vida desse jeito me sirva para alguma coisa. Mas tá doendo, o que posso fazer?

Meu pai me disse que me entende. Sabe que eu não nasci pra isso. Sabe que eu me sinto presa aqui nessa cidade. É tudo verdade. Talvez a excessiva preocupação com o vestibular seja só uma desculpa para a falta de dinheiro. Pai, eu entendo. Não seja justo exigir que ele faça um mágica e arrume 24 mil para eu passar um ano falando inglês, flertando com jogadores de futebol americano e usando um armário patético. É egoísmo demais. Eu só não queria ter tantos sonhos e não poder realizá-los. Por que eu não sou só mais uma que se contenta com um show de forró com os amigos? Por quê? Me diz, vai.

Eu esperei uma mágica, tentei me mover de alguma forma, tentei de tudo. É isso pessoal. Não tenho mais o que dizer nem explicar. Eu só queria... fugir. Sei lá. De qualquer forma, desculpem.

Enxuguei as lágrimas. O assunto morreu aqui.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Now playing: para chorar

Para mim é extremamente vergonhoso dizer isso, levando em consideração que tem gente que eu conheço lendo o blog. Foda-se. É isso mesmo. Foda-se. Faz de conta que não leu isso, por favor. Não me deixe mais constrangida do que já estou.

É que é sexta-feira à noite e finalmente chegou o dia de colocar para fora toda a frustração e sentimento de impotência para fora que eu vinha guardando todo esse tempo que eu tentei fingir para mim mesma que estava tudo bem. E como desgraça pouca é bobagem, a playlist não foi nada animadora.

A verdade é que quando a gente está no fundo do poço, a gente quer afundar mais ainda. Chega uma hora que os sentimentos transbordam em forma de água. Aí é a deixa para nadar nesse mar e se afogar na própria tristeza. Chorar é preciso, e de certa forma, a gente gosta de sofrer.

Por isso, enquanto eu me escondo no escritório abafado de casa para não ser vista de olhos vermelhos por ninguém, separei algumas músicas para quando vocês estiverem na mesma situação que eu: na merda. Na verdade, eu não fiz nada mais nada menos que registrar o meu momento através das músicas que ouvi hoje.

Talvez vocês nem entendam o porquê de algumas músicas estarem na minha playlist. Mas enfim, ninguém liga. Faz sentido pra mim, talvez não faça pra você. Afinal, é a minha dor, meus motivos, minha história. E até pensei em explicar tudo isso, porém achei melhor não. Cada um que interprete da maneira que quiser. Estou quase me recuperando, não quero ter uma recaída.

 O que eu estou dizendo, meu Zeus? Enfim, escutem. Ou não.


Eu já não estava me aguentando quando cheguei aqui. Sentei na cadeira, liguei o computador, e a primeira música triste que me veio a cabeça foi essa. Já chorei muito ao som dessa música, já é clássica dos adolescenteszinhos "injustiçados" dos anos 2000. Posso me incluir nessa?



Yeah, Martin, nobody said it was easy. No one even said it would be this hard.

Esse trecho tem tudo a ver comigo. Bom, até me falaram que ia ser difícil assim, eu que não acreditei, ou não quis acreditar.



Posso ficar inconsciente até que essa porra toda acabe logo? Alguém me dá um comprimido de dramin da vida, por favor. Durmo agora e acordo num avião que vá para bem longe. É possível?




Preciso explicar o porquê dessa música mesmo?



Eu estava no inglês quando ouvi essa música pela primeira vez e lá mesmo me contive para não chorar. Ela me toca lá no fundo porque... essa pessoa da música sou eu. E o meu pai sempre me falou que a falta de luz é uma parte necessária. Família, estrada, Jazon Mraz, longe de casa... Eu estou em casa mas essa daí vai me fazer chorar em qualquer lugar do mundo.


Quando eu escuto essa música eu sinto como se eu estivesse num casulo e fosse uma lagarta esperando a metamorfose. Bom, ainda não sou uma borboleta.

I'll spread my wings and I'll learn how to fly. I'll do what it takes till I touch the sky.



Eu estou na merda e não tem nada a ver com amor, mas quem está na merda aproveita e lembra tudo de ruim da vida para extravasar de uma vez só. As vezes, até inventa. Aparecem coisas na sua cabeça que jamais passariam por lá na lucidez. Só me lembrei o quanto eu me pareço com essa cupida aí.



Foi A música da minha infância. A música dos sonhos frustrados. A música que também me faz lembrar bons momentos. No meio disso tudo, ainda me faz lembrar o meu pai, não me perguntem porque, porque eu não quero molhar o meu rosto novamente.



Citei Miley Cyrus recentemente aqui no blog, um texto antigão que resolvi postar, mas que faz todo o sentido para a Alice de hoje. Eu ainda estou tentando escalar a montanha, e mesmo que o que importa seja a escalada, eu quero chegar do outro lado, poxa.

But there's a voice inside my head saying: "you'll never reach it".                                                          



Em frente à minha casa tem um barzinho, e bem no meio da minha deprê tocou essa música. Dizer que eu nasci pra sofrer, enquanto o outro ri é ridículo. Eu, definitivamente, não nasci pra sofrer. E, na vida a gente tem que procurar um motivo para sorrir. Chorei. Agora é isso que eu vou fazer.


É isso, pessoal. Provavelmente eu me arrependerei de ter postado isso. Mas que se dane.

Quem tá na chuva é pra se molhar. Eu tô molhada, mas não de chuva, e você?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

15+1









Leia ouvindo: Fifteen - Taylor Swift 

Há um ano, virei mocinha (odeio essa palavra). Não dancei valsa num salão lotado nem fui à Disney em uma excursão. Embebedei uns amigos na sala aqui de casa, permaneci sóbria e em seguida embarquei para conhecer um lugar novo. Sentei no banco de trás, pensei na vida, aproveitei a vista, era tudo o que eu queria. Ao menos eu já estaria bem longe no fim do dia.

E foi pensando em ir para mais longe, que, aqui perto, eu tive que fazer alguma coisa. Minha vida tinha que mudar, e a única pessoa que podia fazer isso era eu mesma. E eu tentei, eu juro. Eu acreditei até o fim. Eu ainda estou por perto, e estarei por muito tempo. Tentei. Não posso dizer que foi em vão.

Nada foi em vão. A cada ano, vou amadurecendo um pouquinho, aprendendo algo. Ganho algumas coisas, deixo outras para trás. Se eu aprendi algo, eu não sei, mas a lição foi dada. Será que eu fui aprovada nessa escola? Digo, (hoje eu posso ser clichê?) na escola da vida. Nessa daí eu não vou me formar nunca, já na outra, eu saio de lá ano que vem.

Até parece que eu virei gente. E eu não sei se eu gosto disso. Tô naquela fase de começar a fazer coisas de adulto, com a mesma cabeça de criança. Não fiz amigos, só os perdi, e juro que não foi culpa minha. Acabei percebendo que nem tudo é como a gente pensa e que no fundo ninguém presta. As pessoas guardam muitos segredos, esse ano eu percebi quem nem sempre vale a pena ficar sabendo deles.

Não sei se isso tem a ver com a minha futura profissão, mas eu sou uma péssima pessoa para ouvir uma confissão. Não confie em jornalistas, eles vão se aproveitar da sua informação de alguma forma. A propósito, ando confiando bem menos nas pessoas. Depois, eu mesma confesso algo que não deveria e me arrependo. Não sei guardar os meus próprios segredos.

Descobri que sou mais paranoica que pensava. Agora eu tenho uma (má) fama. Ótimo. Não parece, mas até tenho a cabeça no lugar. Porém, na tentativa de ser racional, eu fui tão irracional que até hoje eu não sei que merda eu estava fazendo. Já tenho um motivo para ter um passado condenável no futuro.

Ainda não sou muito madura, falo muita besteira mas venho aprendendo a ficar calada. Ainda não vou para a balada com os amigos que restaram. Ainda não posso pegar um ônibus. Já posso namorar, mas isso eu dispenso. Ainda não tenho paciência. Já posso falar palavrão perto dos meus pais. Aquela cervejinha eu ainda tenho que tomar na baixa, e pela primeira vez tive vontade de ter logo 18 anos.

Fui uma boa menina? Nem tanto. Tentei. Briguei, briguei, depois tentei a paz. Chorei, chorei, e enxuguei as lágrimas. Aprendi que não dá pra ficar com pena de si mesma. De certa forma, eu gosto de chorar, contanto que ninguém veja. Se ninguém me ajuda, o que posso fazer?

Espera. Alice, contenha-se. Não estrague o seu dia. Não precisa lembrar das coisas ruins.

Sim, precisa. Mas não agora, não hoje. Talvez eu não tenha superado tudo tão bem assim, mas eu tô tentando a cada dia.

Já passou da meia-noite.

E os meus quinze anos foram assim.

Tentei. Errei. Aprendi.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aproveite a vista

*
Escrevi esse texto há séculos e por acaso o encontrei no rascunho do blog. Resolvi postar.
Desculpem os erros e o texto mal escrito, hihi.

*
Woooaaah, aloha.
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A vida passa, damos duro, crescemos, aparecemos e realizamos sonhos. Bem, isso não é regra, muito pelo contrário. Se você consegue realizar um sonho bobo, sinta-se realizada, muitos não conseguem. Mas uma coisa que eu vejo muito, é ver sonhos virarem rotina. Sabe, vejo gente que lutou tanto para alcançar os seus sonhos, que nem se lembram disso. Tudo virou tão monótono. Aquela viagem que você sempre sonhou, você já fez 10 iguais. Aquele carro que você tanto desejou, agora já tem um importado bem melhor. Ou aquela família que você sempre quis formar, hoje em dia parece tão chata pra você.

Acho que quem lê isso aqui não está ainda nessa fase, a maioria ainda está sonhando muito, conseguindo certas coisas, mas aposto que a vida que você sonha ainda não é sua realidade. Quando a gente não tem nada, ou melhor, quando a gente não tem tudo, sabia que de certa forma a gente é mais feliz? Sim, sim. Minha tia me contou uma vez da felicidade do seu irmão, anos e anos atrás, quando chegou a primeira televisão na casa deles. Ele contou para o bairro inteiro, ele estava feliz. Quando isso aconteceu, várias pessoas já haviam conseguido uma há décadas, e pouco se importaram em ganhar as novas. Essa alegria eles não tiveram. 

Mas isso foi há muito tempo, hoje a realidade é outra. Imagina você, com o seu blog pequeno, comemorando cada visita, daqui há alguns anos ter vários leitores? Será que a alegria vai ser a mesma? Se quer a resposta, eu não sei. Mas se imagine daqui há alguns anos. Sim, vamos supor que você conseguiu. Bem, talvez não dê o mesmo sorriso que antes, afinal, é normal. Mas lembre-se de onde você veio garota, e viva tudo isso como se fosse realmente o seu sonho, não esse encantamento se perder na rotina, não deixe que ele vire chato, normal. 

Vejo meninas ricas de berço, entediada com seus iPhones, iPads, iPods, viagens, roupas, "amigos", e seus pais entediados com o carro importado, a casa de praia, o iate e a mansão... tudo. Acho que essas meninas nem tiveram tempo pra sonhar com essas coisas todas, e por um lado tenho pena. Talvez seus olhos nunca vão brilhar ao conquistar alguma coisa, talvez um amor, amizade, mas num mundo onde o interesse reina, isso é bem complicado.

Talvez não tenha usado o exemplo da televisão muito bem, afinal, depois de décadas, ter esse objeto é quase básico. E não precisa contar para o bairro todo quando ganhar o seu iPhone, ou fazer sua primeira viagem internacional. Só não deixa o brilho dos sonhos que você vai realizando na vida, se apagarem. Cada vez mais eles vão ficando maiores, e as conquistas também. Chega uma hora que nem se tem muito o que sonhar, e acredite, a maior graça é o caminho até os sonhos, não a chegada.

Como diz Miley Cyrus, a vida não é sobre chegar ao outro lado da montanha, o importante é a escalada. Só não se esqueça de aproveitar bem a vista quando chegar ao topo.

Escondidinho é mais gostoso (e doloroso)

Amigo, eu tô aqui pro teu bem porque ela não é pro teu bico. Ela não te quer, entenda. Não te entendo, mas tento. É burrice, mas aceito. Não te faz bem, mas você gosta. Meu conselho não é nada. No entanto, o amor é cego e conselho se fosse bom, não se dava, vendia. Ah, quem avisa amigo é. Eu tô aqui pra tentar abrir teu olho, pra dizer: eu te avisei.

Seu masoquismo combina com o sadismo dela e só. Ela é a safada que paga de santa e você o santo que paga de safado. Você é a distração, falta de opção, é o que temos pra hoje à noite. Enquanto isso, ela é tudo o que você enxerga e o que te cega. Você é quem tem saco pra ficar do lado dela quando ninguém mais aguenta aquele cinismo todo. É quem defende até quando ela quer ser atacada. Você aceita todos os termos e condições, com as cláusulas mais sujas, só para tê-la ao lado.

Ao lado da cama. Noite sim, noite não. Entrando pela janela, de madrugada, para ninguém desconfiar. Saindo cedinho, antes de todo mundo acordar. Vou te jogar a real, ela acha até excitante te pegar pelos cantos escondidinho, só que essa palhaçada toda só tem uma explicação: ela não gosta de você.

Você diz que é amor. E acredita, com todas as suas forças, é recíproco. Se toca, de você, ela só sente é vergonha. Talvez um pouco de pena. Apego também. Cai na real, cai em si mesmo, mas cai de boca, do mesmo jeito que você faz com ela. Quando diz que te ama, ela mente. Todas  as promessas que ela faz, não têm a menor pretensão de cumprir.

E a janela continua aberta, pra ela, à procura do amor da vida dela. Ele não é você.

Procura um psicólogo, manda ela procurar um também, eu sei que ela é viciada nessas coisas. Depois, procura uma namorada. Uma de verdade. Uma que seja sua, e só sua. Uma que valha a pena você ser dela e só dela. Amigo, pensa. Pensa bem. É só isso que eu quero, o teu bem.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Blogosfera Nostálgica

Sabe quando você sente saudade de algo que você nem viveu?

Tipo isso.



Eu estava beeeem desanimada com a blogosfera. Consequentemente, com o meu próprio blog. Os bons blogs sumiram, os ruins proliferaram, e os que eram grandes continuaram crescendo estratosfericamente. Não que eu me achasse superior a ninguém, pelo contrário, mas tudo isso aqui era bem mais legal antigamente.

"Oi, olha pra mim. Eu quero aparecer, ganhar jabá e ficar rica."

Sim, eu também quero aparecer, ganhar jabá e ficar rica. Quem não quer, gente? A propósito, nunca ganhei nada em todo esse tempo que tenho blogs e se um dia eu ganhar vou fazer uma festa. E, ao meu ver, não há problema algum com isso. O que me incomoda é essa obsessão que as meninas têm com isso, e assim, os views, presentinhos e a vontade de ganhar dinheiro sufoca a essência de um bom blog.

Não tenho nada contra a profissionalização da coisa, se blogar me desse um cash legal no fim do mês, eu faria parte do sindicato das blogueiras com certeza. Por outro lado, isso tá tornando a coisa toda... chata. Claro que nesse meio todo ainda tem blogs muito legais como o Depois dos Quinze. Mas eu vou te contar, não é a mesma coisa. Falta espontaneidade. E devida tanta exposição, é compreensível.

Perceba que nenhum desses grandes blogs nasceu desse desespero pela fama. Começaram como uma brincadeira, um desabafo, um hobbie, uma válvula de escape. E foi assim que eles chegaram onde chegaram, destacando-se de alguma forma porque eles eram despretensiosos, tinha uma verdade ali. Ainda que de lá pra cá tenha mudado tanta coisa.


E nesse tempo que deixei o blog pra lá, eu decidi: não quero ser esse tipo de blogueira. Adoraria ser rica e famosa, mas não dessa maneira. Quero ser blogueira das antigas. Isso aqui é o meu diário, minha válvula de escape, o que eu gosto de fazer e ponto. Já tenho obrigações demais, postar não deve ser uma delas. Faço porque eu gosto, e se não gostar mais, não faço. Fuck the society, eu amo falar sozinha. E se alguém quiser falar comigo, eu amo também.

Nunca tive fotolog, minhas comunidades do orkut nunca fizeram sucesso. Até sou do tempo das dolls e gifs brilhantes, mas não sou tão velha para ser da geração dos primeiros blogs. No entanto, é como se eu fosse. Eu me identifico, sei lá. Achei que estava tudo perdido, até que eu encontrei blogs incríveis do jeitinho que eu queria ler: únicos e verdadeiros, com o mesmo saudosismo que eu sinto. Depois eu posso até fazer um post só para indicar alguns, tenho certeza que vão gostar.

Até que esse tempo desiludida com a blogosfera me rendeu alguns frutos. Não tenho mais tanto medo de falar o que der na telha, ou melhor, escrever e mostrar por aqui o que saiu da minha cabeça. Afinal, eu estou aparentemente sozinha. Que seja, pelo menos algumas paranoias eu deixei para trás.

Eu tenho que fazer de 2015 um ano melhor. Eu já comecei. São pequenas coisas, eu sei, mas pra mim é importante. Mudei o layout do Pequena Aventureira e mesmo que não seja nada elaborado eu estou muito feliz com o resultado.

E é isso que importa, pessoal.








quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Bla bla bla

couple life in color
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Ani é contraditória. Não estranhe, ela é tão estranha como muitos de nós. Como todos nós. E não tenho orgulho de me incluir na estatística. Das pessoas que dizem uma coisa e fazem outra, das que apontam o dedo pro outro e depois estão fazendo igual, das que esquecem de olhar pro próprio umbigo. Ninguém é perfeito, estamos longe disso. Ani também está.

Dando show com o seu poder (ou quase), vai pra pista, na batida, porque lá é o lugar dela. Pode chegar, que ela tá querendo. Rebola só porque ele não gosta, se ele não gostar, que vire de costas. Ele até que faz bem, mas ela não é de ninguém, ele perdeu e foi pro final da fila. Até que alguém chegou para provocá-la, para ver se ela deixa de bla, bla bla.

Não há problema algum com Ani. Goste ou não, ela faz o trabalho dela. Ani realmente não é das mais queridas, mas isso não importa. Não tô aqui pra falar dela, tô aqui para falar das palavras dela. Não muito diferentes do que se escutam por aí.

É engraçado ouvir da mesma voz que canta "Show das Poderosas" que as mulheres têm poder demais. Nada combinava com aquele discurso. Nem roupa, nem os movimentos que ela fazia enquanto dançava, nem a música que cantava. Era tudo muito estranho.

Pi não aceitou. "Amiga, olha o que cê tá falando." Eis um debate saudável se tornar numa verdadeira guerra virtual de gente que só precisa de alguma coisa para movimentar a vida. Pi, mais forte, mais querida, e mais esclarecida, ganhou com folga e com razão.

Ani, não se chateie, Pi só queria te equalizar. E, quem sabe assim, equalizar mais algumas pessoas. Acho que ela conseguiu, assim, meio sem querer querendo. Afinal, eu - e mais milhares de pessoas - estão falando sobre isso. É a pauta do momento.

E vou dizer o que penso: homem ou mulher, cada um pega quem quiser. Se quiser. Como quiser, se alguém quiser. Acha bonito quem quer também. E se Ani não acha bonito, paciência. E tudo muito estranho. Mais estranho ainda é esse ódio todo contra ela. Que feminismo estranho esse, não?

O feminismo não é estranho, estranho é toda essa gente que nem sabe o significado da palavra falando o que não sabe. Como Ani, sendo incoerente. Pi não é perfeita nem a dona da razão, longe disso, ninguém é, também não sou. Eles, muito menos. 

Na real, todo mundo vez ou outra fala merda. Quem tem culpa? É difícil não ser meio preconceituoso, meio moralista, meio babaca, quando se nasce e cresce escutando besteira. Odeio ter que dizer isso, mas é verdade. Daí a gente abre a cabeça, aprende, cresce. Oba, evolução. Perfeição, ainda não. Nem hoje nem nunca. Numa sociedade como a nossa, não dá para exigir muita coisa. Nem da massa, nem da meiga e abusada.

Me entristece, mas não me surpreende, que uma discussão dessa tenha virado só mais uma rixa de rock contra funk e vice versa. Que seja. Ainda tem muita gente que para para pensar.

Ani, vai lá com a Pi e me chama pra discutir também. Não faz mal, eu juro. <3

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma garrafa para Morfeu

A sexta-feira foi negra, o sábado foi azul, o domingo foi amarelo e amanhã é dia de branco. Estou de férias, então, pra mim isso não conta. A noite ainda quer me pôr na cama mesmo assim. Quem me dera se o meu corpo escutasse, porque dormir é perda de tempo e as estrelas são a melhor companhia que se pode ter. Elas estão sempre lá, brilhando, enfeitando o céu. E ainda dizem que elas têm culpa de alguma coisa, coitadas. Estão lá para ser a única leitora de escritos cheios de metáforas pobres e filosofias de uma bêbada de sono.

Pés de coqueiro, pés de cachimbo. Sombra, luz. Pé com rodas, rodas no pé. Escreva o nome no arroz, apanhe sonhos. Use um gorro. Se proteja do frio que inexiste aqui nos trópicos. Preencha todos os seus buracos com alguma coisa, e se for pouco (sempre é), faça mais buracos. No nariz, na boca e no mamilo. Água que arde, erva que não é cidreira. Faça algo escondido. Fuja da polícia. Brinque comigo. Faça parte. Do grupo, do mundo, de tudo, de alguma coisa.

Depois, enjoe. Plante outros pés, ande com outras rodas, escreva o nome em papéis e esqueça os sonhos. Use terno. Continue se protegendo do frio que inexiste aqui nos trópicos. Tape alguns buracos. Em outros, ponha água e faça uma piscina. A água já não arde tanto. Um chá de cidreira. Esconda-se de si mesmo. Fuja do trabalho no fim do dia. "Papai, mamãe, brinca comigo?". Continue tentando fazer parte de alguma coisa.

Faça de conta que nada se fez, porque o que se fez não se conta. Seja um exemplo. Não precisa ser verdadeiro. Ou então ache graça da estupidez alheia, tão parecida com a sua. Envergonhe-se. Seja careta. Raspe a barba, corte o cabelo. Ou ignore. Faça o que quiser. Prevejo seu futuro melhor que os hippies sentados na grama. E é mais normal do que você gostaria. Se bem que, olhe em volta, você não é tão estranho assim.

Não, não faça isso. Não me leve a sério. Se expresse mal, como eu. Usei um péssimo exemplo. Não queira ser mais um daqueles babacas. Mas ó, te confesso, eu os invejo. Tenho a impressão que as mentes menores se divertem mais, ou, no mínimo, fingem muito bem. Pode ser efeito de alguma coisa também, não sei. Seja virgem, escreva como vadia.

Ou não. Não siga meus conselhos, só viva. Tome as doses da vida que seu fígado aguentar, do sabor que preferir. Faça o que der na telha. Só viva. Eu aguento mais. Quero copo cheio. De estrelas, de sol, de quilômetros, de besteiras. De prazer, de palavras, de gritos, de lágrimas. De água, terra, fogo e ar. Só metade de juízo, a outra eu quero sem. Metade razão, a outra, emoção. Um copo é pouco. Desce uma garrafa de vida, por favor.

Quero ver um dia de cada cor. E várias cores nos meus dias. Já chega de ver o tempo pela janela. Mãe, vou sair. Vai, deixa eu ver o que tem lá fora. Arrumarei algo para fazer. Tenho um buraco vazio aqui dentro e é o único que eu quero preencher. Me preencher. Não ligue para a filosofia da bêbada de sono, ela é só mais uma criança, assim como a noite. Ainda é cedo, o boteco está aberto. Vou sentar na mes...

Zzzzzzz z z z z...