quarta-feira, 2 de julho de 2014

Bom ou ruim, a Copa está aí

Paz

Olha só, queridinho, meu amor por futebol é sazonal e não ligo se você disser que eu sou só mais uma mulherzinha que se empolga com os jogadores bonitos da Copa do Mundo. Não que isso seja mentira, mas essa febre que dá em mim em junho, de quatro em quatro anos vai um pouco além disso e não diz respeito apenas à vinte e dois homens, um gramado e uma bola.

Junho está quase acabando, as oitavas já acabaram, muita gente já teve um treco no coração. Posso dizer que vi e estou vendo as maravilhas e desgraças que o mundial trouxe para o nosso país, ainda que eu ainda tenha minhas dúvidas sobre o que esse evento vai deixar por aqui. Como uma humilde futura jornalista e alguém que gosta de dar pitaco em tudo, até sobre coisas que não entende muito bem, aqui estou eu para falar sobre o assunto mais falado do momento.

Desde o ano passado a internet foi invadida com hashtags de protesto contra a copa. Não vai ter Copa. Está tendo, amigo. Copa pra quem? Pra quem tem cartão de crédito e coragem de se endividar. E meu pai já provou, que de dívida ele não tem medo, por isso, me levou com ele pra ver uma partida da Alemanha em Fortaleza. E lá eu fui, peguei um busão pra Recife, voei pra Fortaleza, vi a copa de pertinho. Depois, voltei pra contar o que eu achei pra quem ainda lê isso aqui.

Sempre reconheci que o Brasil não era lá o melhor país para se receber um evento desses, tinha medo de passar vergonha e, como quase todo mundo, revolta por darem preferência à estádios enquanto o resto estava uma merda. No entanto, todo mundo só veio notar esse detalhezinho quando os templos da bola já estavam de pé. Aí amigo, nada mais poderia ser feito.

Então eu fui curtir a festa, e aproveitar o que tinha de bom nisso tudo, seja em casa ou em qualquer outro lugar. Sinceramente, desde que cheguei no aeroporto de Recife e enquanto eu estava no meio daquela Torre de Babel, eu não me preocupei muito com educação ou saúde ou sei lá. Como turista, eu não dava a mínima pra isso. Já como brasileira, eu dou.

Como turista, eu fui muito bem recebida. Participei da festa, dentro e fora do estádio, dei uma de gringa, meio sem querer, torci, tirei onda, conversei com gente diferente, tirei a poeira do meu inglês.Vi vários povos literalmente vestindo a camisa do seu país, e não era a feira das nações do meu colégio. Gente trocando bandeiras, abraços, sorrisos e um dedo de prosa, seja em espanglês, portunhol, ou sei lá, inglemão. Dos meus novos amigos gringos, só ouvi elogios.

No meio da farra, não tinha muito espaço na minha cabeça pra preocupação, longe dali eu noto os erros e acertos da organização do evento. Mais acertos que erros, ainda assim, percebi que, como de lei nesse país, foi tudo arrumadinho. Funcionou, segurou o tranco, não fez feio. Ainda assim, longe do ideal. 

Confesso que  fui surpreendia positivamente, há um ano atrás, eu temia algo muito pior. Se essa tal Copa do Mundo trouxe um mês de festa pras terras tupiniquins, alguns turistas a mais e doze estádios bonitos, por outro lado, deixa um legado duvidoso. O que vai ficar por aqui depois de julho além de arenas? Procuro em cada esquina os benefícios que o mundial traria para o Brasil em si, melhorando a infra-estrutura do país, trazendo empregos, qualificando profissionais, impulsionando o turismo, trazendo dinheiro pra cá. Não encontro muita coisa. Em vez disso vejo puxadinhos, obras inacabadas, elefantes brancos, empreguinhos temporários e gente pouco qualificada.

Os estádios já estão prontos, a bola já está rolando, não tem mais volta e o que vier agora é lucro. Pra quem gosta do esporte e da festa, resta aproveitar que nós somos oficialmente o país do futebol. Pra quem não gosta, resta aproveitar os feriados pra chegar em casa, descansar e ler um livro. Em Outubro, tem eleições. Aí sim, Brasil, é a oportunidade que temos para ao menos tentar mudar alguma coisa.

E pra quem achar ruim, eu continuo gritando gol sim. Junto a família, ligo a TV, visto verde e amarelo, ou vou ser alemã por um dia e trocar figurinhas em outra língua. Enfim, esqueço os problemas, vou comemorar sei lá o quê. Vou abraçar um desconhecido e ser feliz um pouquinho.