segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma garrafa para Morfeu

A sexta-feira foi negra, o sábado foi azul, o domingo foi amarelo e amanhã é dia de branco. Estou de férias, então, pra mim isso não conta. A noite ainda quer me pôr na cama mesmo assim. Quem me dera se o meu corpo escutasse, porque dormir é perda de tempo e as estrelas são a melhor companhia que se pode ter. Elas estão sempre lá, brilhando, enfeitando o céu. E ainda dizem que elas têm culpa de alguma coisa, coitadas. Estão lá para ser a única leitora de escritos cheios de metáforas pobres e filosofias de uma bêbada de sono.

Pés de coqueiro, pés de cachimbo. Sombra, luz. Pé com rodas, rodas no pé. Escreva o nome no arroz, apanhe sonhos. Use um gorro. Se proteja do frio que inexiste aqui nos trópicos. Preencha todos os seus buracos com alguma coisa, e se for pouco (sempre é), faça mais buracos. No nariz, na boca e no mamilo. Água que arde, erva que não é cidreira. Faça algo escondido. Fuja da polícia. Brinque comigo. Faça parte. Do grupo, do mundo, de tudo, de alguma coisa.

Depois, enjoe. Plante outros pés, ande com outras rodas, escreva o nome em papéis e esqueça os sonhos. Use terno. Continue se protegendo do frio que inexiste aqui nos trópicos. Tape alguns buracos. Em outros, ponha água e faça uma piscina. A água já não arde tanto. Um chá de cidreira. Esconda-se de si mesmo. Fuja do trabalho no fim do dia. "Papai, mamãe, brinca comigo?". Continue tentando fazer parte de alguma coisa.

Faça de conta que nada se fez, porque o que se fez não se conta. Seja um exemplo. Não precisa ser verdadeiro. Ou então ache graça da estupidez alheia, tão parecida com a sua. Envergonhe-se. Seja careta. Raspe a barba, corte o cabelo. Ou ignore. Faça o que quiser. Prevejo seu futuro melhor que os hippies sentados na grama. E é mais normal do que você gostaria. Se bem que, olhe em volta, você não é tão estranho assim.

Não, não faça isso. Não me leve a sério. Se expresse mal, como eu. Usei um péssimo exemplo. Não queira ser mais um daqueles babacas. Mas ó, te confesso, eu os invejo. Tenho a impressão que as mentes menores se divertem mais, ou, no mínimo, fingem muito bem. Pode ser efeito de alguma coisa também, não sei. Seja virgem, escreva como vadia.

Ou não. Não siga meus conselhos, só viva. Tome as doses da vida que seu fígado aguentar, do sabor que preferir. Faça o que der na telha. Só viva. Eu aguento mais. Quero copo cheio. De estrelas, de sol, de quilômetros, de besteiras. De prazer, de palavras, de gritos, de lágrimas. De água, terra, fogo e ar. Só metade de juízo, a outra eu quero sem. Metade razão, a outra, emoção. Um copo é pouco. Desce uma garrafa de vida, por favor.

Quero ver um dia de cada cor. E várias cores nos meus dias. Já chega de ver o tempo pela janela. Mãe, vou sair. Vai, deixa eu ver o que tem lá fora. Arrumarei algo para fazer. Tenho um buraco vazio aqui dentro e é o único que eu quero preencher. Me preencher. Não ligue para a filosofia da bêbada de sono, ela é só mais uma criança, assim como a noite. Ainda é cedo, o boteco está aberto. Vou sentar na mes...

Zzzzzzz z z z z...



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