domingo, 2 de fevereiro de 2014

Crianças e a sua capacidade de entender o amor


"Que falta de respeito! Como as crianças vão entender isso?" Pobre das crianças que sempre são usadas pra justificar as picuinhas dos adultos. Mal sabem eles que as crianças estão pouco se importando com isso, enquanto os pais estão tão incomodados com uma simples história de amor que acaba com um beijinho no final. Assim como o príncipe beija uma defunta desconhecida chamada Branca de Neve no filme da Disney, o príncipe imperfeito beijou o outro príncipe imperfeito no fim de mais uma novelinha global. Simples. Mas pra alguns não.

As pessoas são irônicas e controversas. Dizem que respeitam, mas não aceitam. Falam que eles podem ser gays, mas não podem demonstrar. As pessoas criticam o Feliciano e lei russa contra as demonstrações públicas da homossexualidade, mas quando aparecem dois caras dando um beijinho na TV, dizem que foi desnecessário. Me falta paciência para essa mentalidade das pessoas, para tentar entender essa lógica sem lógica feita pra velar o preconceito.

Não quero que ninguém se torne gay, nem que as pessoas traiam suas crenças nem nada disso. Eu só queria que todo mundo parassem de se preocupar tanto com o outro. Que pelo menos parassem de mimimi e desligassem a TV. Porque as pessoas só querem o carinha gay na novela para ele fazer gracinha, quebrar a munheca e dizer umas piadas. Amar que é bom? Pode não, é feio, é nojento, incomoda, faz dodói.

É claro que a polêmica era esperada. Polêmica gera falatório. Falatório gera audiência. Audiência gera dinheiro. Dessa vez, vou ignorar que por trás disso tudo tinha todo o jogo de marketing da emissora. O beijo veio tarde demais, com alarme demais, mas veio. O ósculo entre o vilão arrependido e o carneirinho que vende peixe cru foi bem mais necessário do que as diversas cenas quentes dos dois casais sem conteúdo que só faziam compartilhar chifres entre si. O que foi estranho pra mim foi que o beijo foi tão romântico para um suposto selinho corriqueiro, que até pareciam que os dois haviam tocado os lábios pela primeira vez. Não tão natural quanto eu gostaria, ainda assim, lindo.

Se alguma criança lhe perguntar o que foi isso, lhe diga que é apenas um casal um pouquinho diferente do que o papai e a mamãe mas que tem a capacidade de amar da mesma forma. Acho que não vai ser tão difícil de entender. Faça o favor de não criar mais uma geração recheada de preconceitos. Não vai acabar com a família, não vai deixar ninguém mais macho ou menos gay que do que já é. A normalidade da coisa só vai ter um efeito: deixar aquele que ama, amar quem quer e demonstrar pra quem quiser, sem medo de ser feliz. Só espero estar viva para ver a utopia acontecer.

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