terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ela só tem 15


Ela pensou que dessa vez sua vida mudaria enquanto os fogos de artifício pipocavam no céu. Como sempre. Ela olhava para a noite branca sentada na areia com um vestido azul e se imaginava num filme, como se ela olhasse para o lado e encontrasse um príncipe encantado, ou sei lá, qualquer pessoa que gostasse dela e vice-versa que ficasse ao seu lado.

Mas nada aconteceu na vida da garota de 15 anos que queria ser amada. Todos os dias, ela ia para a mesma escola, conversava com os mesmos amigos, sentava na mesma escrivaninha, ouvia as mesmas músicas e descrevia as mesmas emoções no tumblr. Até gostou de um garoto que também gostava dela. Não rolou. Nenhuma novidade. Afinal, nunca dava certo para ela mesmo.

Ela nunca mostrava o lado romântico. Estudava, ria, lia e defendia ideias mirabolantes. Vestia saias rodadas e fingia não se importar. Porque ela não gostava de se importar. Odiava. Odiava querer ter alguém. Odiava não ter o que falar quando as amigas falavam sobre a carta que recebeu do namorado ou sobre o cara bonito que elas beijaram na noite anterior. Porque ela nunca havia passado por isso.

Ela acha que isso é futilidade, por isso tenta esquecer essas bobagens. Procura algo para ocupar a mente, mas às vezes chora e se sente só. Pergunta a si mesma se tem algum problema. Envergonha-se por achar que isso é um problema. Ela não deveria precisar de ninguém, certo?

Mas ela é lúcida. E pra não enlouquecer, ela sempre diz a si mesma: “Só tenho 15”. Então segue sua vida, até que no ano que vem ela sente na areia e repita os mesmos desejos como nas outras primeiras meias noites do ano.

2 comentários:

  1. Caramba Alice! você praticamente me descreveu neste texto, é assim que você se sente? eu pensei que ninguém se sentia como eu :s

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    1. Na verdade esse é um texto fictício, mas fico feliz em saber que você tenha se identificado. E sim, muita gente se sente como você. :D

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