sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O meu complexo com o tempo

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 Quando fazia o jardim da infância, meu pai e a minha escolinha colocaram-me uma série adiante, alegando que eu era adiantada o suficiente para fazer o Jardim I e já poderia ir direto par ao Jardim II, então desde aí, eu era a mais nova da turma. Me adaptei fácil, eu gostava de estar no meio das crianças maiores.

Se uma série do jardim da infância faz falta no aprendizado de alguém, isso aí eu não sei. Mas para mim, não fez falta alguma, pois eu sempre fui a mais nova da turma, e a que tirava as melhores notas, sem precisar de esforço.

O tempo foi passando mais um pouco, e achavam-me mais velha do que eu era, e de fato, eu era mais alta, e aparentava ser maior do que as meninas da minha classe. E eu amava isso. Sentia-me, nos meus 7 ou 8 anos de idade, mais madura que as demais, sentia-me poderosa, e ainda sim, eu era a mais nova. Eu era realmente feliz. 

Foi quando, a maioria dessa minha antiga escola, que faliu, mudou-se comigo para o colégio que estudo até hoje. E nesse ano que eu me mudei, deparei-me com alguém, um mês mais nova que eu. Não me sentia tão especial como antes, eu era uma das mais novas mais não era a mais nova. Foi nesse ano, que fui percebendo que o tempo estava passando, e eu não estava fazendo exatamente nada.

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Foi nesse ano que desisti do meu grande e secreto sonho de criança: ser uma cantora. Como havia aula de violão nesse novo colégio, eu entrei pensando que aquela era a hora do primeiro passo. Eu comecei a me achar atrasada, pois eu via meninas mais bem novas dando esse meu primeiro passo, mas até aí eu achava que ainda dava tempo. Mas meus pais, quando pedi, não me deram muito ouvidos. Eles eram ocupados demais com seus trabalhos, e alegaram que não poderiam me levar para tal aula. Fiquei triste, e ver algumas meninas da minha turma cantando, e tocando, era como tocar numa ferida, que eu tentava esquecer. E eu acabei esquecendo, não só por isso, mas pelo fato de eu ter percebido que a vida não me deu este talento. Desisti.

Neste ano, eu iria voltar a fazer Ginástica Rítmica, não era um sonho, mas eu gostava, fiz quando tinha 7 anos, e parei com 8, ou era agora ou nunca, já já eu estaria muito velha para isso. Mas não deu, os dias das aulas batiam com os dias do inglês, e mamãe disse que não dava pra mudar. Desisti. Pensei em fazer dança. Não deu, desisti. Depois desse ano vi que não dava mais, eu já era velha para realizar isso. Ninguém se surpreende com uma menina que aprende a tocar violão aos 10 anos, pois já é normal. Nenhuma menina começa a fazer ginástica ou dança aos 10 anos, as outras estão na sua frente, você também não tem a mesma flexibilidade.

Nos anos seguintes, aos 10 e 11 anos, foram anos escuros para mim. Era como se fosse comum demais, eu já era velha, ninguém se surpreenderia comigo mais. Foram anos, que não houve nenhuma atitude minha  pra mudar alguma, coisa, para surpreender alguém, no geral, eu me sentia triste, vazia, uma pessoa sem objetivos na vida. Eu via as meninas com seus namoradinhos, e me sentia atrasada, sentia que o tempo estava passando, as vezes eu pensava até que morreria só.

Aos 12, eu bati o pé no chão e decidi mudar. E esse foi o ano, que mesmo que eu não tenha conseguido muita coisa daquilo que eu desejava há 3, 2 anos atrás, eu consegui uma coisa, eu me libertei. Não, eu não comecei a morar sozinha, não comecei a sair para as baladas, nem minha mãe começou a deixar que eu ande de ônibus (ok, isso me dá vergonha, mas se é pra ser sincera com as leitoras, eu serei). Mas eu me libertei por dentro, sabe? Achei objetivos para a minha vida, fiz planos, acreditei em meus novos sonhos, criei metas, e me desapeguei totalmente da ideia de que eu morreria sozinha, parei de procurar namorado, e parei de me preocupar por ter poucos amigos. Ainda há muita coisa para libertar dentro de mim, mas já foi um enorme começo.

Esse tal objetivo era: fazer moda. Então eu entrei pro mundo dos blogs. Quando encontrei vários blogs legais de meninas mais novas que eu, eu já entrei nisso, senti-me um pouco velha para começar, mas eu pensei: "A vida é só uma, e se a gente deixar de fazer o que a gente realmente gosta, porque acha que o tempo já passou, acredite, uma hora o tempo vai passar realmente, e você não vai poder voltar atrás."

Os meus sonhos antigos? Não dá mais pra ressuscitar, já estão mortos e enterrados. Mas agora, se tudo der certo, farei aulas de violão, mesmo que eu não queira mais ser cantora, o sonho de aprender a tocar violão nunca morreu. 

Meu complexo com o tempo? Bem, ainda acho que eu sou velha. Mas não é que eu ache que eu seja realmente velha na idade, ou que eu não goste que me digam que eu pareço velha (o que não acontece com tanta frequência como antes). Mas é toda aquela história, de surpreender, se destacar, de ser uma menina prodígio. Eu não tenho medo de crescer, pelo o contrário, o que eu mais quero é ir morar só no Recife para fazer moda. Porém, o meu mais novo complexo com o tempo, é o medo de envelhecer, de ver a vida passar, sabe? Tenho medo do que vai vir depois dos 20, 30 anos. Mas é assim mesmo, acho que toda mulher sempre terá complexos com o tempo.

Lembre-se: "A vida é só uma, e se a gente deixar de fazer o que a gente realmente gosta, porque acha que o tempo já passou, acredite, uma hora o tempo vai passar realmente, e você não vai poder voltar atrás."

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